Gilliatt
Noé, quando resolveu construir a arca, sabia o que estava fazendo. Não era apenas a única forma de salvar a sua pele do terrível aguaceiro que se anunciava, mas estava também em jogo o futuro do homem e do bicho na face da Terra. Projetou, desenhou as linhas do casco, quebrou a cabeça e botou para quebrar o resto. E o barco ficou pronto, exatamente, dizem, no dia esperado, quando já caiam as primeiras gotas daquele céu turvo e fatídico. Foi, sem dúvida, o primeiro engenheiro naval e peão naval, em toda a história da humanidade.
Quando resolvi fazer um barco, sequer não imaginava os percalços que essa aventura iria me proporcionar. Com um canudo de engenheiro naval na mão, alguns anos de labuta na área e muitos sonhos na cabeça, tirei seis meses de férias na vida e tracei um infalível cronograma: vou construir o casco com minhas próprias mãos em cinco meses e depois um mês vou para uma praia descansar .
Somente dez anos depois o casco ficaria totalmente pronto. E a história da construção cruzaria o século e se arrastaria ainda pelo novo milênio .
Uma história feita de empenos e desempenos, soldas e contrasoldas, poeira, suor e muita humor. Noé continuou rindo lá de cima por um bom tempo. A arca que começou à beira mar do litoral baiano e foi parar nas montanhas de uma mata atlântica fluminense. Cada vez mais longe do mar.
O diário de bordo nesta nave hoje em águas neozelandezas tem muito para contar.
Embarque nessa aventura .
O próximo dilúvio pode esperar.