Gilliatt
Parte Um
Pensando no Barco Ideal
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| - "Olha que belas formas daquele casco! |
| O que você acha, companheiro?" |
Breno era um amigo de gosto muito singular. Companheiro inicial nessa aventura, com ele tive que escolher o projeto ideal do veleiro. Quando ele optava pelo branco, eu preferia o preto, quando ele preferia o preto, eu achava melhor o branco. Assim ia, ele queria um casco quadrado, eu, o redondo. Cada qual faria o seu casco mas o projeto tinha que ser o mesmo. Claro, isso não impediu de se chegar a um só formato do casco: ficou redondo, mas também não deixou de ficar quadrado, pois ficou uma pequena e imperceptível quina no fundo.
Era verão de 1986, Salvador, Bahia. Eram tantos veleiros franceses que parecia a terceira tentativa de invasão no país, via mar. Eu e Breno visitamos todos, um por um. Conversa vai, conversa vem, vinhos e caipirinhas, casco redondo, casco quadrado, um mastro, dois mastros, é ketch ou sloop, no final, o casco escolhido foi um alemão...
Foi a partir deste que desenvolvi todo o projeto do que viria a ser o atual Gilliat, um ketch, 45 pés, cock-pit central e nada a mais a ver com o original que o inspirou.
Ficou a terna lembrança daquele casal alemão, no sexto ano de sua volta ao mundo , o caminho escolhido após a morte da filha única, com o barco ancorado nas tranqüilas águas de Itaparica e que, por providencial sugestão e gentis esforços de parte minha, foi parar em um estaleiro de Salvador, para pintura de fundo, ocasião esta imperdível para este olheiro copiar o plano de linhas do casco, sem custo de direitos autorais.
Como se sabe, depois de Noé, engenheiro naval nenhum jamais criou, só copiou.