Gilliatt
Parte Dois
Os primeiros desafios
Centenas de horas depois, rabiscando e fazendo conta, debruçado numa prancheta, conclui o plano de linhas e de baliza definitivos, ou seja, a forma final do casco. Urgia terminar pois as primeiras chapas de aço já haviam chegado e o desenho ainda não estava pronto. Quando tudo estava nos trinques para o primeiro corte, constatei que a largura do casco, ou seja, a boca do barco não permitia passar pela portão do galpão, por uma diferença milimétrica. Resolvi salvar o portão, cujas robustas colunas eram de aço, para evitar confrontos com a administração já meio mal humorada. Explica-se: o estaleiro só lidava com embarcações de grande porte, e só para reparos. Casquinho em construção era empecilho. E lá vou eu de volta ao plano de linhas para gerar um casco cuja boca foi alguns milímetros menor que a largura do dito portão.
Antes de iniciar o primeiro corte, viajei para pesquisar sobre os métodos de curvatura de chapas de aço e , no final , descobri que ninguém sabia nada. E quanto menos sabiam, mais diziam que eu era louco e que nunca ia conseguir fazer o tal casco todo redondo com chapa de aço. Casco quadrado sim. Aí sim voltei, convicto de que agora é que queria fazer um casco mais do que arredondado.